21.5.12

Há bem pouco entendimento nos livros que leio - do romance ao conto, do conto à crônica, da crônica à poesia, a idade ensina a cortar caminho. Cabe nos signos apenas o mínimo de vida que se pode reduzir. Mas também o mínimo merece esmero! É ele que aciona a vontade que guardo no estômago. Tipo três linhas que o poeta cuspiu, o vento amarelou com doçura, agora fazem estripulia com meu coração!

20.4.12

bagunça nascida de dentro não presta! não alimenta e é indecifrável. boa mesmo é bagunça invasora, de incendiar velhos ritmos, enlouquecer os pensamentos em ciclo, quase uma bárbara! que venha movimento de vida, de pernas, de corpo todo. Mas que aquiete a mente! Que a mente já fez sua parte.

15.4.12

ai, Deus! você que não existe, faz favor de me alertar quando essa paz inesperada virar letargia? é que inércia boa confunde gente acomodada! grata.

4.4.12

Ira e Teoria

Erraram todas: astrologia, psicologia, antropologia, sociologia, filosofia, economia. O mundo se divide mesmo é entre os que conseguem e os que não conseguimos dormir!

1.4.12

Alguém me ensinou, bem menina, que era bonito compreender... laureei-me no ofício. exibi troféu de santa na estante da sala. e usei o troféu como arma (pra que mais servem troféus?)! Assim foi que me perdi no vaidoso e paralisante por quê? Mas quão inúteis são as armas e a compreensão nesses dias de não!, em que a única pergunta em movimento é pra onde, agora?

23.3.12

Vez ou outra me ocupa a sensação de que dá pra voar; pulmão histérico, coração alerta, pernas leves! Ainda que coragem soe passageira, ouso ensaiar despretensiosos rasantes. Porque convenhamos, nunca serei dessas pessoas-estratosfera. mas planar logo acima do mar tem sua graça!

14.3.12

Fizessem filme sobre nós, começava e terminava na mesma cena: Eu - visto roupa colorida cheia de guizo, subo num monociclo, me dano a rodar pela sala, fazendo malabarismo, tocando gaita, assoviando, cantando, e sorrindo. Você - por simpatia ensaia um riso entediado, enquanto troca o canal. Tem dias que me bate uma dúvida perigosa: quem parou de me ver primeiro?

6.3.12

depois do gozo triste pensei
o coração parou
- mas não!

cada tanto de ar sugado pra dentro
uma lágrima empurrada pra fora
vontade de dizer engula meu choro
decifra meu choro
agora devolva no cuspe minha alma

3.3.12

já quis ser segredos. mas tenho poucos ou nenhum. puxando na memória não acho nunca. pessoas com segredos têm um quê de rebeldia. eu sempre fui mais de incômodos. durante um tempo tive tão poucas vontades que temi estar morta-viva. mas vontades passam. enquanto incômodos me deram identidade. tive que aprender a não me acostumar com identidades - elas aprisionam. e definitivamente etiqueta não funciona. ninguém lê etiquetas.

18.2.12

todos os anseios são mais dias como hoje
em seus leves tons de azul, laranja tentador
mesmo o chumbo claro foi fácil de respirar
deu vontade de sair na chuva, sem dar as mãos
só eu e a cor que vier depois
que liberdade boa não saber a cor de depois!
mas sentir fundo a umidade verde
e aceitar essa doida que agora deu pra me perseguir:
–  Seja bem-vinda, esperança!
Em todas as suas cores.