Há bem pouco entendimento nos livros que leio - do romance ao conto, do conto à crônica, da crônica à poesia, a idade ensina a cortar caminho. Cabe nos signos apenas o mínimo de vida que se pode reduzir. Mas também o mínimo merece esmero! É ele que aciona a vontade que guardo no estômago. Tipo três linhas que o poeta cuspiu, o vento amarelou com doçura, agora fazem estripulia com meu coração!
Tinindo Trincando
tá tudo tinindo tinindo tinindo trincando
21.5.12
20.4.12
15.4.12
4.4.12
Ira e Teoria
Erraram todas: astrologia, psicologia, antropologia, sociologia, filosofia, economia. O mundo se divide mesmo é entre os que conseguem e os que não conseguimos dormir!
1.4.12
Alguém me ensinou, bem menina, que era bonito compreender... laureei-me no ofício. exibi troféu de santa na estante da sala. e usei o troféu como arma (pra que mais servem troféus?)! Assim foi que me perdi no vaidoso e paralisante por quê? Mas quão inúteis são as armas e a compreensão nesses dias de não!, em que a única pergunta em movimento é pra onde, agora?
23.3.12
14.3.12
Fizessem filme sobre nós, começava e terminava na mesma cena: Eu - visto roupa colorida cheia de guizo, subo num monociclo, me dano a rodar pela sala, fazendo malabarismo, tocando gaita, assoviando, cantando, e sorrindo. Você - por simpatia ensaia um riso entediado, enquanto troca o canal. Tem dias que me bate uma dúvida perigosa: quem parou de me ver primeiro?
6.3.12
3.3.12
já quis ser segredos. mas tenho poucos ou nenhum. puxando na memória não acho nunca. pessoas com segredos têm um quê de rebeldia. eu sempre fui mais de incômodos. durante um tempo tive tão poucas vontades que temi estar morta-viva. mas vontades passam. enquanto incômodos me deram identidade. tive que aprender a não me acostumar com identidades - elas aprisionam. e definitivamente etiqueta não funciona. ninguém lê etiquetas.
18.2.12
todos os anseios são mais dias como hoje
em seus leves tons de azul, laranja tentador
mesmo o chumbo claro foi fácil de respirar
deu vontade de sair na chuva, sem dar as mãos
só eu e a cor que vier depois
que liberdade boa não saber a cor de depois!
que liberdade boa não saber a cor de depois!
mas sentir fundo a umidade verde
e aceitar essa doida que agora deu pra me perseguir:
– Seja bem-vinda, esperança!
Em todas as suas cores.
– Seja bem-vinda, esperança!
Em todas as suas cores.
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